Fase 1 — Fundamentação · Documento-base · v1.0
Protocolo Científico ATB3 — AT.RFG2P
Evidências Empíricas da Eficiência do Método AT.RFG2P na Identificação de Níveis Técnicos do Mercado Acionário Brasileiro
1.Introdução
O mercado acionário é um ambiente caracterizado pela interação contínua entre compradores e vendedores, formação dinâmica de preços, diferentes níveis de liquidez, volatilidade variável e incorporação de informações econômicas, financeiras e comportamentais.
O AT.RFG2P constitui uma metodologia proprietária desenvolvida no âmbito do ATB3 para identificação e projeção de níveis técnicos de preços, organizados em uma estrutura de nove níveis, denominados 1P a 9P.
O presente protocolo estabelece as regras científicas que deverão orientar a investigação empírica do método. Seu objetivo principal é garantir que os resultados obtidos possam ser: mensurados, comparados, reproduzidos, submetidos a testes estatísticos, avaliados quanto à robustez, separados de efeitos puramente aleatórios e analisados fora da amostra utilizada para desenvolvimento.
O protocolo também procura evitar problemas metodológicos comuns em pesquisas quantitativas financeiras, especialmente look-ahead bias, seleção retrospectiva de ativos, ajuste excessivo do método aos resultados observados e alterações posteriores dos critérios de sucesso.
Este documento constitui a versão 1.0 do protocolo científico ATB3. Alterações posteriores deverão ser identificadas por versão e documentadas.
2.Problema de pesquisa
A questão central desta linha de pesquisa é: os níveis técnicos produzidos pelo método AT.RFG2P apresentam comportamento estatisticamente identificável no mercado acionário brasileiro, superior ao que seria esperado sob uma referência de aleatoriedade ou modelos comparativos adequadamente especificados?
A partir dessa questão central, serão investigadas questões secundárias:
- Os níveis 1P–9P apresentam taxas de ocorrência diferentes entre si?
- Existe diferença estatisticamente significativa entre a ocorrência observada e uma referência nula?
- O comportamento do método permanece quando aplicado a diferentes ações?
- O desempenho varia entre setores econômicos?
- Os resultados permanecem em períodos diferentes?
- O método mantém desempenho quando testado fora da amostra?
- Os resultados são robustos a diferentes tolerâncias?
- Os resultados permanecem após controles estatísticos adicionais?
- O método apresenta características diferentes de benchmarks técnicos tradicionais?
- Os resultados podem ser reproduzidos por terceiros utilizando o mesmo protocolo?
3.Hipóteses
3.1 Hipótese nula principal — H₀
A hipótese nula estabelece que os níveis produzidos pelo AT.RFG2P não apresentam desempenho estatisticamente diferente da referência nula especificada para cada experimento. Para o primeiro experimento simplificado:
3.2 Hipótese alternativa — H₁
Observação metodológica: o valor de 50% não deve ser tratado como verdade universal sobre o mercado. Ele constitui uma referência nula específica para determinados experimentos do protocolo. Nos estudos posteriores serão utilizados benchmarks adicionais e, quando apropriado, modelos nulos mais adequados.
4.Objetivos
4.1 Objetivo geral
Avaliar empiricamente o comportamento dos níveis técnicos produzidos pelo AT.RFG2P no mercado acionário brasileiro, utilizando procedimentos estatísticos previamente definidos e critérios de validação replicáveis.
4.2 Objetivos específicos
- Medir a frequência de ocorrência dos níveis
- Estimar taxas de acerto
- Calcular intervalos de confiança
- Testar hipóteses estatísticas
- Comparar os níveis 1P–9P
- Avaliar diferentes ativos e setores
- Investigar diferentes regimes de mercado
- Realizar testes fora da amostra
- Comparar o método com benchmarks
- Avaliar robustez
- Estudar implicações para gestão de risco
- Construir uma base histórica auditável
- Produzir artigos científicos derivados da pesquisa
5.Fundamentação teórica
A pesquisa será situada no campo de estudos quantitativos do mercado financeiro, especialmente nas áreas de análise técnica, eficiência de mercado, formação de preços, séries temporais financeiras, estatística aplicada a investimentos, econometria financeira, gestão de risco, backtesting e previsão/classificação de eventos financeiros.
5.1 Hipótese de eficiência de mercado
Os resultados deverão ser interpretados à luz da literatura sobre eficiência informacional dos mercados.
5.2 Análise técnica
O AT.RFG2P será analisado dentro do contexto mais amplo dos métodos que utilizam informações históricas de preços e volume para identificação de padrões ou níveis relevantes.
5.3 Séries temporais
Os dados financeiros apresentam características como dependência temporal, heterocedasticidade, mudanças de regime, volatilidade variável e eventos extremos — que deverão ser consideradas na interpretação dos resultados.
5.4 Inferência estatística
A pesquisa não deverá depender exclusivamente da taxa de acerto. Serão consideradas: magnitude do efeito, intervalo de confiança, significância estatística, estabilidade, sensibilidade aos parâmetros e desempenho fora da amostra.
6.Descrição matemática do AT.RFG2P
O AT.RFG2P deverá ser descrito matematicamente de forma suficientemente precisa para permitir reprodução independente. Cada nível deverá possuir identificação, preço, direção/função técnica, regra de geração, regra de validação e tolerância aplicável.
6.1 Princípio temporal
Regra fundamental: nenhuma informação posterior ao momento de geração poderá participar da determinação do nível.
6.2 Congelamento
Regra operacional ATB3
Níveis congelados às 08:00 BRT, salvo experimento explicitamente definido de outra maneira.A formalização matemática completa (vetor de níveis, variáveis de entrada, preço-base, fórmulas de cada nível, arredondamento e tolerâncias) está no documento Especificação Matemática Formal do AT.RFG2P.
7.Universo de ativos
O universo principal será constituído por ações negociadas na B3, selecionadas segundo critérios previamente definidos. A pesquisa deverá registrar ticker, empresa, setor, segmento, período de negociação, liquidez, situação de negociação e eventuais alterações societárias.
A lista de ativos não deverá ser escolhida retrospectivamente com base nos resultados obtidos. Quando houver estudos setoriais, a classificação setorial deverá ser definida antes da análise estatística.
Universo ATB3
O universo poderá utilizar inicialmente a lista oficial de ativos definida para os Grupos de Estudos B3 do ATB3, desde que sejam aplicados critérios documentados de elegibilidade e disponibilidade histórica.8.Base de dados
A base científica deverá conter, no mínimo:
| Variável | Descrição |
|---|---|
| Data | Data do pregão |
| Ticker | Código do ativo |
| Empresa | Nome da companhia |
| Setor | Classificação setorial |
| Abertura / Máxima / Mínima / Fechamento | OHLC do período |
| Volume | Volume negociado, quando utilizado |
| Nível 1P … 9P | Os nove níveis do estudo |
| Tolerância | Tolerância aplicada |
| Resultado | Classificação do evento |
| Volatilidade / Regime | Medida e classificação de mercado utilizadas |
Também deverão ser preservados: fonte, data/horário de extração, versão do algoritmo, versão do protocolo e parâmetros utilizados.
9.Procedimento experimental
- Seleção — definir previamente ativos, período, frequência e parâmetros.
- Geração — calcular os níveis AT.RFG2P utilizando exclusivamente informações disponíveis até o momento de corte.
- Congelamento — registrar os níveis sem permitir alteração posterior.
- Observação — registrar o comportamento subsequente do preço.
- Classificação — determinar ocorrência, não ocorrência, toque, rompimento ou rejeição, conforme a definição específica do experimento.
- Estatística — calcular os indicadores previamente estabelecidos.
- Auditoria — verificar dados ausentes, inconsistências, duplicidades, alterações de parâmetros e violações temporais.
- Publicação — somente após o fechamento da base e validação metodológica os resultados serão incorporados aos artigos.
10.Definição dos nove níveis
O AT.RFG2P trabalha com nove níveis. A documentação técnica de cada um deverá estabelecer fórmula, variáveis utilizadas, origem dos dados, periodicidade, arredondamento, tratamento de casas decimais, relação com preço de referência e interpretação técnica.
Regra importante
A definição matemática deverá ser fixada antes da avaliação final de cada experimento. Qualquer alteração deverá gerar nova versão (AT.RFG2P v1.1, v2.0...) e não deverá ser aplicada retroativamente sem identificação.11.Tolerâncias
A ocorrência de um nível deverá considerar uma tolerância previamente estabelecida. A pesquisa histórica do ATB3 já utilizou diferentes regras:
| Regra | Tolerância |
|---|---|
| Regra A | Estrita (τ = 0) |
| Regra B | ±R$ 0,01 |
| Regra C | ±R$ 0,05 |
| Regra D | ±R$ 0,10 |
Princípio
A tolerância deverá ser definida previamente, documentada, aplicada igualmente e submetida a análise de sensibilidade. Não será permitido escolher a tolerância que produza o melhor resultado depois da observação dos dados.12.Critério de acerto
Um nível é considerado atingido quando o preço observado entra na região de tolerância definida em torno do nível projetado dentro da janela temporal estabelecida. Cada artigo poderá utilizar definições adicionais:
| Evento | Definição |
|---|---|
| Toque | Preço entra na região de tolerância |
| Rejeição | Preço atinge a região e posteriormente se afasta em direção definida |
| Rompimento | Preço atravessa o nível e permanece além do limite estabelecido |
| Primeiro evento | Quando houver múltiplos eventos, considera-se a primeira ocorrência temporal |
Cada definição deverá estar especificada antes do teste.
13.Critério de erro
Será considerado erro quando o evento definido como sucesso não ocorrer dentro da janela temporal especificada. O banco deverá diferenciar:
- Não atingiu
- Atingiu fora da janela
- Atingiu após evento incompatível
- Dado insuficiente
- Ativo sem negociação
- Observação excluída por critério previamente estabelecido
Isso evita transformar dados indisponíveis em "erro".
14.Controle de viés
| Viés | Controle |
|---|---|
| Seleção | Evitar escolher ativos apenas porque apresentaram bons resultados |
| Sobrevivência | Considerar, quando possível, ativos posteriormente excluídos da negociação |
| Confirmação | Analisar resultados independentemente de confirmarem a hipótese inicial |
| Data snooping | Evitar testar repetidamente especificações e apresentar só a melhor |
| Overfitting | Limitar e documentar o número de parâmetros e ajustes |
15.Controle de look-ahead bias
Uma das regras mais importantes do protocolo
Nenhuma informação futura poderá participar da geração do nível. Se o nível é produzido no instante t₀, somente informação disponível até t₀ poderá ser utilizada. Dados posteriores a t₀ serão usados exclusivamente para avaliar o resultado.Exemplo válido: às 08:00, gerar níveis; depois, observar o mercado. Nunca: observar o mercado → ajustar o nível → declarar resultado. Essa regra deverá ser verificada automaticamente sempre que possível.
16.In-sample / out-of-sample
In-sample: período utilizado para desenvolvimento ou definição do método. Out-of-sample: período reservado exclusivamente para validação.
Estrutura adotada quando possível: desenvolvimento → congelamento → validação → publicação. Para estudos mais avançados, poderão ser utilizadas validação temporal, walk-forward, rolling window e expanding window.
17.Estatística descritiva
Para cada experimento serão calculados, conforme aplicável: n, número de sucessos e erros, proporção, média, mediana, desvio-padrão, mínimo, máximo, quartis, amplitude, distância média até o nível e distribuição por nível/ativo/setor.
18.Testes de hipótese
A pesquisa utilizará, conforme a natureza do experimento: teste binomial, intervalo de confiança de Wilson, teste z, testes de permutação, bootstrap e comparação entre grupos (níveis, setores, períodos, ativos, regimes de volatilidade).
A pesquisa deverá distinguir claramente: significância estatística ≠ relevância econômica.
19.Testes de robustez
Os resultados deverão ser submetidos a diferentes verificações:
- Robustez de tolerância (±0 / ±0,01 / ±0,05 / ±0,10)
- Robustez temporal (diferentes períodos e regimes)
- Robustez setorial
- Robustez por ativo (concentração dos resultados)
- Robustez estatística (métodos alternativos de inferência)
- Robustez de benchmark
- Robustez fora da amostra
20.Reprodutibilidade
Sempre que possível serão disponibilizados: protocolo, definição matemática, dados utilizados (quando legalmente possível), código, scripts, planilhas, parâmetros, dicionário de dados, resultados intermediários, versão do software e data de execução.
Cada experimento deverá possuir um identificador — exemplo: ATB3-EXP-001 — combinado com a versão do método — exemplo: AT.RFG2P-v1.0.
21.Limitações
O protocolo reconhece antecipadamente possíveis limitações:
- Dados históricos não garantem comportamento futuro
- Resultados estatísticos não constituem garantia de rentabilidade
- Diferentes ativos apresentam diferentes características de liquidez
- Custos de transação podem alterar resultados econômicos
- Slippage pode afetar estratégias operacionais
- Eventos corporativos podem alterar séries históricas
- Mudanças de regime podem reduzir estabilidade
- Parâmetros podem apresentar sensibilidade
- Backtests podem apresentar limitações inerentes
- Significância estatística não implica causalidade
- Resultados históricos podem não persistir
- Um resultado positivo não prova universalidade do método
A pesquisa deverá apresentar tanto resultados favoráveis quanto desfavoráveis.
22.Critérios de publicação
Um estudo somente será considerado pronto para publicação quando:
Metodologia
Estiver documentada, estiver congelada e puder ser reproduzida.
Dados
Estiverem identificados, houver rastreabilidade e não houver inconsistências relevantes.
Estatística
Houver metodologia apropriada, IC, testes de hipótese quando aplicáveis e análise de robustez.
Integridade
Não houver alteração retrospectiva, não houver seleção apenas dos resultados positivos, e as limitações forem apresentadas.
Linguagem
O ATB3 não deverá utilizar linguagem como "método infalível", "garantia de lucro", "taxa de acerto garantida" ou "previsão certa do mercado". A linguagem científica deverá utilizar expressões como "evidência empírica", "associação estatística", "resultado observado", "desempenho histórico" ou "resultado estatisticamente significativo", quando efetivamente sustentadas pelos testes.
23.Cronograma dos 10 artigos
| Ordem | Artigo | Função |
|---|---|---|
| 01 | Validação estatística do AT.RFG2P | Estudo fundamental |
| 02 | AT.RFG2P × análise técnica tradicional | Benchmark |
| 03 | AT.RFG2P × passeio aleatório | Teste contra hipótese nula |
| 04 | Eficiência dos níveis 1P–9P | Estrutura interna |
| 05 | Aplicação em ações da B3 | Universo acionário |
| 06 | Robustez entre setores | Generalização |
| 07 | Teste fora da amostra | Validação |
| 08 | Gestão de risco | Aplicação quantitativa |
| 09 | Backtest de longo prazo | Robustez temporal |
| 10 | Evidência estatística consolidada | Síntese |
Sequência recomendada: Protocolo → Banco de Dados → Artigo 1 → Artigos 2–4 → Artigos 5–7 → Artigos 8–9 → Artigo 10. O Artigo 10 não deverá simplesmente repetir os anteriores — deverá funcionar como uma meta-análise interna da evidência produzida pelo programa ATB3.
24.Referências metodológicas
A bibliografia definitiva deverá ser construída e atualizada durante o desenvolvimento dos artigos, contemplando pelo menos quatro núcleos:
24.1 Finanças e eficiência de mercado
Fama, E. F. — trabalhos fundamentais sobre eficiência de mercado; literatura contemporânea sobre eficiência informacional e previsibilidade de retornos.
24.2 Análise técnica
Literatura acadêmica sobre análise técnica; estudos empíricos de regras de negociação; trabalhos sobre suporte e resistência e padrões de preços.
24.3 Estatística e econometria
Métodos de inferência para proporções, testes binomiais, intervalos de confiança, bootstrap, testes de permutação, séries temporais e econometria financeira.
24.4 Metodologia de backtesting
Literatura sobre backtesting, data snooping, multiple testing, overfitting, look-ahead bias, survivorship bias, validação fora da amostra e walk-forward analysis.
Anexo A — Estrutura mínima da base científica
A unidade básica de observação deverá ser identificável como ativo + data + nível + experimento. Cada observação deverá possuir um resultado binário quando o experimento exigir, e, quando necessário, variáveis adicionais.
Anexo B — Matriz de controle científico
Antes da publicação de qualquer resultado, cada item abaixo deve estar marcado:
- ☐Fórmula congelada
- ☐Universo definido
- ☐Período definido
- ☐Dados auditados
- ☐Horário de corte definido
- ☐Look-ahead controlado
- ☐Tolerância definida
- ☐Critério de acerto definido
- ☐Critério de erro definido
- ☐In-sample definido
- ☐Out-of-sample definido
- ☐Testes estatísticos definidos
- ☐Robustez executada
- ☐Código/planilha versionado
- ☐Resultados negativos preservados
- ☐Limitações documentadas
- ☐Revisão metodológica concluída
Anexo C — Princípio fundamental do ATB3
"Primeiro definir a regra. Depois observar o resultado. Nunca definir a regra a partir do resultado."
Esse princípio deverá orientar toda a pesquisa. O objetivo não será provar previamente que o AT.RFG2P funciona. O objetivo científico será descobrir, medir e documentar, de maneira estatisticamente rigorosa, em quais condições — e com quais limitações — o comportamento observado dos níveis AT.RFG2P apresenta evidência empírica.